Pesquisar este blog

domingo, 22 de julho de 2012

O SILÊNCIO DOS INOCENTES (1991) - THE SILENCE OF THE LAMBS


Agente do FBI (Jodie Foster) é destacada para encontrar assassino que arranca a pele de suas vítimas. Para entender como ele pensa, ela procura a ajuda  um periogoso psicopata (Anthony Hopkins), encarcerado sob a acusação de canibalismo. 


Há uma diferença fundamental entre O silêncio dos inocentes e sua sequência, Hannibal, de 2001, pois enquanto o primeiro é assustador, envolvente e perturbador, o segundo é meramente perturbador. É fácil preparar um show sensacionalista e mórbido quando você incluí um canibal. O segredo de o Silêncio dos inocentes é que ele não começa com um canibal - mas vai chegando até ele pelos olhos de uma  jovem mulher.


O silêncio dos inocentes é a história de Clarice Starling, que é seguida pelo enredo sem qualquer substancial interrupção. O doutor Hannibal Lecter está  a espreita, no âmago da história, uma presença malévola, mas de certa forma agradável - agradável pelo fato de ele ajudar e gostar de Clarice.


Um dos mais importantes apelos do filme é este - o público gostar de Hannibal Lecter. Parte disso se deve ao fato, como vimos, dele gostar e ajudar Clarice. Mas se deve também porque Hopkins, de uma forma compassada e ardilosa, dá um certo ar refinado ao seu personagem. Lecter pode ser um canibal, mas ele não é entediante, gosta de se divertir, tem os seus princípios e é a pessoa mais esperta do filme.


Hannibal tolera a comparação com outros monstros do cinema como Nosferatu, Frankenstein, King Kong e Norman Bates. Eles têm duas coisas em comum: todos se comportam de acordo com a própria natureza, mas não são compreendidos. Nada do que esses monstros fazem representa o "mal" em qualquer sentido moral convencional, pois eles não têm qualquer senso moral, são preparados para fazer o que querem, não têm escolha.


Nas áreas em que têm alguma escolha, tentam fazer a coisa certa (a exceção é Nosferatu, no sentido de que jamais tem qualquer alternativa). Kong quer salvar Fay Wray, Norman Bates quer continuar com sua amena conversa mole e obedecer às ordens da mãe, e o doutor Lecter ajuda Clarice, pois ela não insulta a sua inteligência e, desta forma, desperta o seu afeto.


O filme teve também a distinção de ser o terceiro filme na história a ganhar os cinco principais Oscar (filme, direção, roteiro, ator, atriz), após Aconteceu naquela noite (1934) e Um estranho no ninho (1975).

sexta-feira, 20 de julho de 2012

SUBMARINO AMARELO (1968) - YELLOW SUBMARINE


Em Pepperland, onde todos são felizes, surgem os cruéis Blue Meanies, que dominam o lugar mas não contam com a chegada dos Beatles em um Submarino Amarelo.


Inovador, surreal, notável no uso da pop art e do nonsense, o desenho traz ainda canções inesquecíveis como Lucy in the sky with diamonds, When I´m sixty-four, Eleanor Rigby, entre outras.


John, Paul, George e Ringo aparecem em carne e osso na cena final.

LADRÃO DE SONHOS (1994) - LA CITÉ DES ENFANTS PERDU


Velho ranzinza, que mora em uma base-laboratório por cima do mar e que definha cada vez mais por não sonhar, rapta crianças para roubar-lhes os sonhos.


Fantasia gótica e sombria, segunda realização da dupla Jeunet & Caro, de Delicatessen, este é um dos filmes mais caros já realizados na França, o que garante o rebuscamento visual.


Com personagens bizarros e situações incomuns, o roteiro se assemelha a um pesadelo repleto de simbolismos em tom negativo, não raro perturbador.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

007 CONTRA A CHANTAGEM ATÔMICA (1965) - THUNDERBALL


James Bond (Sean Connery) tenta impedir que o chefe da organização criminosa Spectre destrua a cidade de Miami com bombas atômicas, o que ele fará se não lhe pagarem 100 milhões de dólares em diamantes.


Quarto filme da série, continuação de 007 contra Goldfinger (1964). Correria, perseguições, notável elenco de mulheres bonitas, o humor característico do sofisticado agente britânico e sequências submarinas muito bem realizadas.


Refilmado em 1983 como Nunca mais outra vez, estrelado pelo próprio Connery. Sequência: Com 007 só se vive duas vezes (1967). Venceu o Oscar de efeitos especiais.

EL DIA QUE ME QUIERAS (1935)


Rapaz de família tradicional de Buenos Aires quer ser cantor, à revelia do pai milionário; no ambiente do teatro de variedades, conhece bailarina por quem se apaixona.


Uma ótima oportunidade para ver ou rever Carlos Gardel (1887-1935), o rei do tango e um dos grandes mitos da cultura argentina, morto em acidente aéreo na Colômbia. O tango que dá título ao filme foi um dos maiores sucessos de Gardel, que interpreta aqui outros dois clássicos: Sus ojos se cerraron e Volver.

O roteiro é previsível e tem os ingredientes que fazem a festa dos apreciadores do gênero: paixões impossíveis, armadilhas do destino e muito sofrimento. Mas sobra lugar para o bom humor - há piadas ingênuas (para os dias de hoje) e deliciosas cenas musicais em um teatro decadente.

domingo, 15 de julho de 2012

BEAU GESTE (1939)


Nos anos 30, três irmãos suspeitos do roubo de uma esmeralda de grande valor se alistam na Legião Estrangeira francesa; enviados ao Forte Zinderneuf, enfrentam um ataque de tuaregues e a vilania de um sargento.


Segunda versão do livro de Percival Christopher Wren, é um exemplar filme de aventuras, romântico e repleto bons sentimentos. Além do excelente roteiro, o filme apresenta a direção segura de William A. Wellman, um ótimo trabalho de edição, bem como, de direção de arte, e um elenco de primeira linha.

A HORA DO PESADELO (1984) - A NIGHTMARE ON ELM STREET


Um grupo de adolescentes tem pesadelos horríveis, onde são atacados por um homem deformado com garras de aço. Ele apenas aparece durante o sono e, para escapar, é preciso acordar. Os crimes vão ocorrendo seguidamente, até que se descobre que o ser misterioso é na verdade Freddy Krueger (Robert Englund), um homem que molestou crianças na rua Elm e que foi queimado vivo pela vizinhança. Agora Krueger pode retornar para se vingar daqueles que o mataram, através do sono.


Os primeiros dois filmes do diretor Wes Craven, Aniversário Macabro (1972) e Quadrilha de sádicos (1977), haviam consagrado o ex-professor de inglês como um autor de filmes de horror de baixo orçamento, similares aos de Tobe Hooper e George Romero. Depois que seus trabalhos subsequentes não corresponderam ao que se esperava dele, Craven desenvolveu a idéia de um assassino que vai buscar suas vítimas nos sonhos delas.


Com um custo inferior a 2 milhões de dólares, A hora do pesadelo teve um elenco de desconhecidos e atores de filmes B (incluindo Johnny Depp, com 21 anos, em seu filme de estréia) e foi concluído em apenas 32 dias. Nada mau para um filme que arrecadaria mais de 25 milhões de dólares nas bilheterias e que inspirou diversas continuações, transformando-se em uma das séries mais rentáveis dos filmes de terror.


Ao contrario dos filmes de horror anteriores, como Halloween (1978) e Sexta-feira 13 (1980), o monstro assassino de A hora do pesadelo é menos uma silenciosa máquina mortífera do que um arquétipo do "trapaceiro do mal", um tipo de anti-herói gótico, um assassino cruel que tem charme, senso de humor e um talento natural para o drama, muito atraente para os espectadores.

UM LUGAR AO SOL (1951) - A PLACE IN THE SUN


George Eastman (Montgomery Clift) é um jovem sonhador que vai trabalhar na fábrica do tio rico, buscando um futuro melhor. Ele vê esse sonho ficar mais distante quando engravida Alice Tripp (Shelley Winters), uma colega de trabalho. Eastman se apaixona por Angela (Elizabeth Taylor), uma rica jovem, e é correspondido, mas se vê impossibilitado de levar a relação a frente por causa da gravidez anterior. Para resolver esse problema, Eastman resolve matar Alice.


Excelente mas bastante reduzida adaptação do romance Uma tragédia americana, de Theodore Dreiser. Liz e Clift estão no auge da beleza (a sequência em que eles dançam, toda em closes, é antológica), e o filme é repleto de imagens belíssimas, marca do diretor George Stevens.


O filme integra, junto com Os brutos também amam e Assim caminha a humanidade, a trilogia do diretor sobre a formação dos EUA. Oscar de direção, roteiro adaptado, fotografia, montagem, figurinos e trilha sonora ( Clift, favorito na categoria ator, perdeu para Humphrey Bogart, que levou a estatueta por Uma aventura na África).

A PANTERA COR-DE-ROSA (1964) - THE PINK PANTHER


O atrapalhado inspetor Clouseau (Peter Sellers), tentando recuperar famosa jóia roubada, não percebe que o principal suspeito é também amante de sua mulher.


Belas locações na Suiça, boas piadas e elenco memorável - Sellers cria um tipo inesquecível e ex-modelo Capucine se destaca pela classe e pela beleza.


A ótima trilha sonora de Henry Mancini tornou-se clássica no gênero. Abertura criativa, apresentando a panterinha em desenho animado (que se tornou popular no cinema e na TV). O filme deu início a uma longa e bem-sucedida série.

sábado, 14 de julho de 2012

SETE HOMENS E UM DESTINO (1960) - THE MAGNIFICENT SEVEN


Em um vilarejo mexicano, os habitantes sofrem constantes ataques de um bando de pistoleiros liderados pelo temido Calvera (Eli Wallach). Cansados de serem saqueados, alguns moradores locais que não têm armas e muito menos temperamento violento viajam até a fronteira, onde encontram Chris (Yul Brynner) e Vin (Steve McQueen), dois pistoleiros desempregados que estão dispostos, não pelo dinheiro mas pela aventura, a reunir mais cinco outros foras-da-lei, que concordam por motivos diversos, a defendê-los de Calvera.


Boa adaptação do clássico Os sete samurais(1954), de Akira Kurosawa. Todo o elenco está muito bem (muitos dos atores tornaram-se astros ou coadjuvantes de fama). Destaque para Brynner e Wallach.



A trilha sonora de Elmer Bernstein, de tão perfeita, tornou-se modelo no gênero.