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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A GUERRA DO FOGO (1981) - QUEST FOR FIRE


Por causa de uma briga, apaga-se o fogo usado por uma tribo pré-histórica que não sabe como acendê-lo e tenta descobrir a origem das chamas.


O diretor Jean-Jacques Annaud e o roteirista Gerard Brach acertaram em cheio neste épico quase antropológico, filmado no Quênia, Escócia, Islândia e Canadá, com suspense, humor e algumas cenas de sexo e violência.


A linguagem é uma criação pesquisada por  Anthony Burgess (A laranja mecânica), os gestos sendo coreografados por Desmond Morris e a rica maquiagem levou o Oscar.


sábado, 26 de janeiro de 2013

BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE ANDRÓIDES (1982) - BLADE RUNNER


No início do século XXI, uma grande corporação desenvolve um robô que é mais forte e ágil que o ser humano e se equiparando em inteligência. São conhecidos como replicantes e utilizados como escravos na colonização e exploração de outros planetas. Mas, quando um grupo dos robôs mais evoluídos provoca um motim, em uma colônia fora da Terra, este incidente faz os replicantes serem considerados ilegais na Terra, sob pena de morte. A partir de então, policiais de um esquadrão de elite, conhecidos como Blade Runner, têm ordem de atirar para matar em replicantes encontrados na Terra, mas tal ato não é chamado de execução e sim de remoção. Até que, em novembro de 2019, em Los Angeles, quando cinco replicantes chegam à Terra, um ex-Blade Runner chamado Deckard (Harrison Ford) é encarregado de caçá-los.


Escrito em 1968, o livro Do androids dream of eletric sheep?, do autor de ficção científica Philip K. Dick, levou 14 anos para chegar ao cinema, e outra década se passou até que a espantosa verão cinematográfica do diretor Ridley Scott fosse oficialmente reconhecido como uma obra-prima do gênero. O filme de 28 milhões de dólares não foi bem recebido em seu lançamento e se tornou fracasso financeiro.


Há livros inteiros dedicados à história por trás do filme.Foi uma produção difícil em todos os sentidos, com vários casos de ressentimentos no estúdio - Harrison Ford, o ator principal, supostamente não gostava de sua parceira Sean Young, a equipe de produção fez camisetas que expressavam sua irritação com o cronograma penoso de produção e, pior, Harrison Ford e Ridley Scott não se entendiam. Ford pouco comentou sobre o filme após sua estréia e disse apenas que foi o mais difícil que já tinha feito.


O resultado, entretanto, foi um filme fantástico. Merecidamente elogiado pelo desenho de produção espetacular, a visão de Scott de uma Los Angeles em 2019 sombria e iluminada por néon, com suas ruas superpovoadas e chuva ácida contínua, tornou-se paradigmática.  Cheio de simbolismo, Blade Runner gerou muito debate ao longo dos anos: alguns dizem que o filme fala subliminarmente sobre religião, citando exemplos como a cena em que o replicante Roy Batty (Rutger Hauer) fura sua mão com um prego como uma representação da crucificação, e com Tyrell (Joe Turkel), criador dos replicantes, servindo como a figura de Deus, supervisionando todas as suas criações.


É difícil imaginar se o filme teria o mesmo impacto com outro diretor (antes de Scott, Adrian Lyne, Michael Apted e Robert Mulligan foram sondados e Martin Scorsese tinha se interessado pelos direitos do livro em 1969). Para o papel principal, os nomes descartados incluíram Cristopher Walken e até Dustin Hoffman. A mistura de ficção científica no século XXI com os filmes noir de detetive dos anos 40 feita por Scott resultou  em uma distopia ácida, ainda que Ford, no papel do homem enviado para "aposentar" (isto é, executar) os anfróides que retornaram à Terra em busca do seu criador, não tenha gostado de "ficar por perto para servir de foco aos cenários de Ridley", como declarou a um jornalista em 1991. os eventuais conflitos, contudo, funcionaram perfeitamente bem para a trama.


Uma das razões pelas quais Blade Runner tem tantos seguidores como filme cult é a existência de mais de uma versão - a Versão do Diretor tem cenas adicionais e deixa de fora a narração de Ford, bem como o final imposto pelo estúdio. Outra razão é o debate interminável sobre o próprio Deckard ser ou não um replicante. Qualquer que seja a resposta - Scott, ao menos uma vez, já sugeriu que Deckard era de fato um andróide - Blade Runner continua sendo um dos filmes de ficção científica visualmente mais impressionantes já feitos.





domingo, 20 de janeiro de 2013

MEU PÉ ESQUERDO (1989) - MY LEFT FOOT


Christy Brown (Daniel Day-Lewis), o filho de uma humilde família irlandesa, nasce com uma paralisia cerebral que lhe tira todos os movimentos do corpo, com a exceção do pé esquerdo. Com apenas este movimento Christy consegue, no decorrer de sua vida, se tornar escritor e pintor.


Apesar do forte potencial para depressão sentimentalista, Meu pé esquerdo acabou sendo uma celebração surpreendentemente divertida, natural e enriquecedora sobre o irlandês Christy Brown. Daniel Day-Lewis está arrebatador em um papel tão distante quanto possível de seu esteta afetado em Uma janela para o amor (1986) ou do oportunista de Minha adorável lavanderia (1985).


O diretor estreante Jim Sheridan consegue uma autêntica façanha: deu emoção e dignidade a uma história que poderia facilmente descambar para o melodrama apelativo. Ele não se esquiva de mostar a tragédia e a raiva na vida de Christy, um espírito sagaz confinado à cadeira de rodas e submetido a humilhações diárias. A impressão geral desse homem, contudo, nos deixa um admirável sentido do milagre da vida e da formidável energia de Christy. Isso é ressaltado pela qualidade mágica infundida nos menores incidentes, como o fascínio demonstrado pelo personagem, ainda criança, quando é levado pelos irmãos e irmãs às brincadeiras de Halloween pelas ruas.


O famoso pé esquerdo, única parte do corpo que ele podia controlar, é central em diversas piadas, bem como em episódios dramáticos: Christy salva a vida de sua mãe, faz gols, pinta, derruba um adversário em uma briga de bar, tenta o suicídio, assenta tijolos e digita sua autobiografia, tudo com o pé esquerdo. Daniel Day-Lewis acabou sendo o vencedor de um Oscar que não poderia lhe ser negado. Tendo dominado as dificuldades físicas de lidar com um corpo tão tortuoso e com a fala defeituosa, ele nos dá o retrato de um homem cuja perspicácia lhe traz pouco alívio, mas cujo humor, desejo sexual e total teimosia iluminam aquilo que poderia ter sido apenas angustiante.


domingo, 7 de outubro de 2012

ASES INDOMÁVEIS (1986) - TOP GUN


Maverick (Tom Cruise) é um piloto na escola para formação avançada de pilotos de caça Top Gun, em San Diego, na califórnia. Ele não lida bem com a autoridade, batendo de frente com seu superior (Michael Ironside), e tem dificuldades em se comprometer, o que causa problemas quando se apaixona pela instrutora de vôo (Kelly McGillis).


O diretor Tony Scott tem seus melhores momentos dirigindo filmes de ação rápida (como em O último Boy Scout, e em Dias de trovão), passa pouco tempo contando a história do romance e dos conflitos pessoais para poder encher o filme com cenas de perseguição de caças e exibições aéreas impressionantes, que são, realidade, a verdadeira razão para se gostar desse filme.


Ases indomáveis traz uma trilha sonora de sucessos e um grupo de jovens atores que viria a fazer sucesso (Meg Ryan, Val kilmer, Anthony Edwards).



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

CONTA COMIGO (1986) - STAND BY ME


Na década de 50, quatro meninos selam um pacto de amizade ao decidir encontrar o cadáver de um garoto não localizado pela polícia.


Bela adaptação do conto "The body", de Stephen King, um ode sem horrores às amizades de infância, dirigido por Rob Reiner. Esta história sobre amizades, narrada pelo adulto Gordy (Richard Dreyffus, não mencionado nos créditos iniciais), tem como cenário a bela paisagem do Oregon, ao invés da ambientação original do conto, no Maine.


Conta comigo retrata, com habilidade, os medos, os jogos, as frases marcantes, as discussões ("Mickey é um rato, Donald é um pato. Pluto é um cachorro. O Pateta é o quê?") e os segredos compartilhados por garotos. O filme tem belos desempenhos do jovem elenco (Will Wheaton, River Phoenix, Corey Feldman, Jerry O`Connell, Kiefer Sutherland), e foi poeticamente dirigido por Reiner.


sábado, 22 de setembro de 2012

MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS (1988) - MUJERES AL BORDE DE UN ATAQUE DE NERVIOS


Dubladora e atriz de TV, frustrada em sua paixão por colega mais velho e infiel, recebe em seu apartamento, num mesmo dia, a visita da esposa legítima, de seu amante, do filho deste e a namorada virgem, da amiga envolvida com um terrorista, de policiais e de um funcionário da companhia telefônica.


Graças a indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro que recebeu - o primeiro da carreira de Pedro Almodóvar -, Mulheres à beira de um ataque de nervos confirmou o prestígio internacional do diretor e roteirista espanhol.


O filme certamente representa avanços em muitos dos aspectos mais interessantes das obras anteriores de Almodóvar - a subjetividade radical dos sentimentos, o exagero das emoções e a mistura estranha de melodrama e comédia.


Para além de seu humor delirante, Mulheres à beira de um ataque de nervos é um tocante monólogo feminino sobre a felicidade e a solidão. vagamente inspirado na peça de 1930 de Jean Cocteau La voix humaine, o filme demonstra o incrível talento da musa de Almodóvar, Carmen Maura. Não devemos nos esquecer, tampouco, de Antonio Banderas, que deu aqui importante passo rumo ao estrelato internacional.


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

GHOST - DO OUTRO LADO DA VIDA (1990) - GHOST


Sam Wheat (Patrick Swayze) é assassinado após assistir uma apresentação teatral. No entanto, seu espírito não vai para o outro plano e decide ajudar sua esposa Molly, pois ela corre o risco de ser morta pela mesma pessoa que responsável por sua morte.  Para tanto, ele utiliza os serviços de Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), uma médium trambiqueira.


O diretor Jerry Zucker utilizou com maestria os surpreendentes efeitos especiais, um dos pontos altos desta comédia romântica, enorme sucesso de bilheteria. O filme tem carisma, acerta tanto nas cenas tristes quanto nas alegres e amorosas.


Além disso, conta com uma notável Goldberg (ganhou o Globo de Ouro dos jornalistas de Hollywood e o Oscar de coadjuvante), e com uma inspirada trilha sonora que inclui a canção Unchained Melody, que voltou às paradas na versão de 1955 dos Righteous Brothers.


domingo, 9 de setembro de 2012

OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS (1981) - THE GODS MUST BE CRAZY


Uma garrafa de Coca-cola cai é jogada de um avião e uma tribo quer nunca teve contato com a civilização acredita ser um presente dos deuses; à partir daí, acaba a paz em seu paraíso.




Quando um membro da tribo  parte para devolver o presente místico, ele encontra um romântico microbiologista, uma professora e um grupo de terroristas, todos envolvidos num enredo tão maluco, coisa que só poderia acontecer no mundo civilizado.




Comédia com muitos momentos engraçados, enfocando o choque entre culturas. Rara oportunidade de se conhecer o cinema da África do Sul. Foi, na época, a maior bilheteria de um filme estrangeiro nos Estados Unidos.

O REI DE NOVA YORK (1990) - THE KING OF NEW YORK


Recém-saído da prisão,  o líder de traficantes de drogas Frank White (Christopher Walken)  pretende dominar a cidade e faz verdadeira batalha contra rivais.


Voltando ao seu tema favorito, a marginalidade noturna de Nova York, o diretor Abel Ferrara realiza uma de suas melhores obras. Enquanto história, o roteiro de Nicholas St. John não foge ao habitual embate entre criminosos e policiais. Vale, porém, pela direção tensa, enxuta e perturbadora.


Filme extremamente físico, com muita violência e acentuado sadismo. Ferrara assina a letra de duas canções da trilha sonora.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O MUNDO SEGUNDO GARP (1982) - THE WORLD ACCORDING TO GARP


Em 1944, mãe feminista domina o filho, nascido de uma relação forçada com soldado moribundo. Já universitário, o rapaz não consegue se livrar da educação heterodoxa que recebeu.


Extraído do livro de John Irving (roteiro de Steve Tesich), o filme do diretor George Roy Hill é uma sátira original, sutil, com toques de tragédia, sentimentalismo e simbolismo. É também um painel da evolução dos costumes na América, com enfase para a violência e a liberação dos impulsos eróticos.


Excelentes desempenhos de Glenn Close como a mãe, e de John Lithgow como o transexual Roberta; ambos indicados ao Oscar de coadjuvantes.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

ESTAMOS TODOS BEM (1990) - STANNO TUTTI BENE



Funcionário de cartório na Sicília cansa de esperar a visita dos filhos e viaja de trem para reencontrá-los em Nápoles, Roma , Milão, Florença e Turim. Esperava deles grandes feitos, mas a realidade é outra.


Este filme do diretor Giuseppe Tornatore é uma viagem às ilusões e à decadência, inspirada no neo-realismo italiano, lembrando filmes como Umberto D e Ladrões de bicicleta, de Vittorio De Sica.


Mas a narrativa é moderna, a interpretação de Marcello Mastroianni impecável e a trilha sonora de Ennio Morricone, notável.


sábado, 25 de agosto de 2012

A MOSCA (1986) - THE FLY


Acidentalmente, mosca entra em experiência de cientista (Jeff Goldblum) ; este percebe que as células da mosca passaram para seu corpo, aos poucos transformando-o em cópia humana do inseto.


Versão do clássico de 58 ( A mosca da cabeça branca, de Kurt Neumann), com efeitos especiais aperfeiçoados após três décadas de progresso do cinema.


O diretor Davis Cronenberg nunca evitou impacto vísceral em sua carreira e, à medida que Jeff Goldblum passa por sua transformação de humano para híbrido de homem e mosca, o filme exibe um crescente incessante de efeitos especiais cada vez mais nojentos. Gosma escorre de cada orifício, partes do corpo se atrofiam e caem e são substituídas por apêndices misteriosos.


Mas embora a transformação soe (e seja) repulsiva, Cronenberg e seu habilidoso elenco de alguma forma conseguem imbuí-la de emoção real. Geena Davis ( que faz o papel de namorada de Goldblum) luta contra a transformação nojenta para enxergar o homem que ela conheceu, enquanto Goldblum luta para manter sua humanidade à medida que seu livre-arbítrio é subjugado pelo instinto.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

MEMPHIS BELLE - A FORTALEZA VOADORA (1990) - MEMPHIS BELLE


Em maio de 1943, durante a II Guerra Mundial, a tripulação do bombardeiro quadrimotor B-17, cognominado Memphis Belle, voa junto com outros aviões para um arriscado ataque diurno a Bremen, em sua 25º e última missão.


Emocionante e sem ambiguidades, é uma história voltada mais para a exaltação dos bons sentimentos do que para o espetáculo da guerra. neste sentido, retoma certo cinema americano dos anos 30 e 40, mas sem o ufanismo da época.


Não há demonstrações de heroísmo, substituído por emoções comuns e sinceras. A cena em que Harry Connick Jr., estreando como ator, canta Danny Boy, foi feita para emocionar.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A CAÇADA AO OUTUBRO VERMELHO (1989) - THE HUNT FOR RED OCTOBER


O capitão soviético Markus Ramius (Sean Connery) leva para águas americanas o mais moderno submarino da marinha soviética, o Outubro Vermelho; os russos o perseguem porque ele quer desertar e os americanos imaginam um ataque nuclear.


Espetáculo eficiente, absorvente, com bom argumento (baseado em romance de Tom Clancy) e clima constante de suspense dentro d'água, onde se passa a maior parte das ações.


Connery, de barba e peruca grisalhas, mostra a competência de sempre. Foi o primeiro filme de quatro protagonizados pelo agente da CIA Jack Ryan (aqui interpretado por Alec Baldwin), sendo os demais Jogos Patrióticos (1992), Perigo real e imediato (1994) e A soma de todos os medos (2002).



domingo, 29 de julho de 2012

ALIENS, O RESGATE (1986) - ALIENS


Depois de 57 anos vagando pelo espaço, a tenente Ripley (Sigourney Weaver) é regatada e, além da dificuldade para explicar o que aconteceu na Nostromo, fica sabenso que o local da desastrosa descoberta no filme anterior (o planeta LV426) foi colonizado.


Inevitavelmente, algo ruim acontece lá e a traumatizada Ripley é enviada com um executivo nada confiável, uma equipe de fuzileiros arrogantes, além de um novo andróide ambíguo (Lance Henriksen).


Se Alien, o oitavo passageiro foi um assustadora casa mal-assombrada espacial, a montanha-russa incessante e furiosamente intensa do diretor James Cameron é um forte espacial tomado pelo inimigo, com o grupo cada vez menor - acompanhados perla astuta órfã sobrevivente, Newt (Carrie Henn) - cercado por uma multiplicidade implacável de formidáveis monstros criados por H.R. Giger.